Texto Margarida Marinho

Fotografia Catarina Macedo Ferreira

Começámos o primeiro capítulo desta série com uma família do Porto. ¶ Pai, designer e criativo. Mãe, brand manager. Filho, 3 anos de diversão, aprendizagem e uma clara tendência para trabalhos artísticos manuais, talvez pela influência criativa dos pais. ¶ Pirro, o cão de água português. O grande amigo da família que assume, na perfeição, o papel de proteção do forte. ¶ Apesar do dia convidar a uma visita à beira-mar, fomos conhecer esta família em sua casa, no seu porto de abrigo. ¶ Pensada para ir ao encontro de algumas linhas da corrente Montessori, Mariana e Filipe, não pretendem, de todo, que a casa seja um ambiente demasiado protegido e controlado. Querem sim, que esta seja mais uma ferramenta que prepare o Nicolau para um ambiente real. ¶ “A parentalidade moderna prende-se, cada vez mais, com

a imperfeição e com a forma como lidamos com o que não planeámos. Não planeámos, é certo, mas acontece e há uma beleza em tudo. O segredo está em transmitir confiança através dessa imperfeição.” (Filipe). ¶ Dar automonia às crianças, facilitar as tarefas e transformar essas etapas em momentos de claro reforço positivo é uma preocupação notória nesta família. Rapidamente o sentimos, tanto em casa como na mais intuitiva escolha do guarda- roupa do Nico. A preocupação passa pela funcionalidade das peças. ¶ É indispensável que estas ajudem o Nico a estar o mais confortável possível e que facilitem as suas aventuras do dia-a-dia. Se forem giras, tanto melhor! A Zippy é uma das escolhas na hora de ir às compras. Falamos de famílias com estruturas lineares, onde

a base assenta no respeito, na troca e no diálogo, ao contrário do que acontecia com as gerações anteriores: ¶ “Antigamente, a relação com os pais e avós baseava-se na autoridade, nas leis, no bom comportamento e no que era expectável socialmente. Isso, infelizmente, reflete-se na relação que vivem actualmente e onde existe um distanciamento vincado. Para os pais de hoje, a visão é outra, temos consciência de que queremos criar de base uma relação verdadeira e próxima com os nossos filhos, e que esta não se pode estabelecer de forma impositiva.” (Filipe). ¶ Apesar do ritmo acelerado e do facto de algumas vezes se ausentarem da cidade por exigências de trabalho, Mariana e Filipe aproveitam todos os momentos para brincar e estimular determinados rituais

em família. ¶ Workshops de arte, desenhos a três, cooking moments onde o Nico mostra as suas aptidões para a cozinha, enquanto prepara alguns dos seus bolos favoritos - chocolate e iogurte. Ou, quando o pai sugere iguarias gourmet onde o perigo de não aprovar o prato raramente faz parte da equação. O dia, esse, termina sempre da melhor maneira. Numa viagem pelas três histórias que serão contadas e vividas em família. ¶ Não são apologistas de grande quantidade de brinquedos, se possível, preferem madeira a plástico. Estas “preciosidades“ vão sendo entregues de forma faseada para evitar avalanches de estímulos e excessos desnecessários. ¶ Legos, carros, puzzles e livros são os brinquedos favoritos do Nicolau. Alguns oferecidos pela avó, que adora encontrar estas pequenas relíquias em lojas vintage. ¶ A importância está na forma como se traduz o afeto, através de gestos simples, brincadeiras,

gargalhadas e abraços fortes. ¶ Descomplicar, encontrar soluções e adaptar. ¶ Três momentos que fazem parte do dia-a-dia de cada família e que as tornam únicas e especiais. Até à próxima!